Refém Do Silêncio
Eri Paiva

Quantas, quem pode contar,
As que sufocam sua dor,
Que prendem um suspiro de amor,
Que escondem o desejo de ter
Um momento de prazer,
Uma vontade de chorar...

Sim, quantas são elas, as mulheres
Que por amor se fazem silêncio
Para não denunciar o amado
Que lhes fere os sentimentos
Quando embrutecido, embriagado
Explora-lhe o corpo cansado
Desordena-lhe os pensamentos...

Quantas são as mulheres, aquelas
Que espancadas, guardam as mágoas,
Suas feridas e todas as sequelas,
Ancoradas na esperança de su'alma
Ter de volta um mar de calma
Nos braços da alma gêmea...

Quantas que além de mulheres,
São mães que carregam no peito,
A dor de um carinho desfeito
Do filho que a casa deixou...
E as mães que silenciam a fome
Que mesmo roendo-lhe o estômago,
Não abate jamais o seu âmago
Quando à sua frente o filhinho
Toma-lhe o pão e o come...

Há Mulheres, mulheres outras,
E quantas, quantas não são,
As que lhes dispensaram a presença
A companhia e o coração...
E ainda assim seguem amando
Em silêncio, seus parceiros de então,
Sufocando seu choro incontido,
Permeado de emoção e lembrança
Dos momentos de felicidade
Que sua imaginação alcança e guarda
Num relicário de saudade...

Mulheres! Quem as poderá julgar?
Que significa teu silêncio
Diante de tanto sofrimento e dor?
Anulação, castração de tua verdade e valor
Medo de quem? E por que
Não gritas aos quatro ventos,
Tuas insatisfações, os teus descontentamentos?
Em nome de quem te fazes refém?
Em nome do amor?
Não! Julgar-te não vou!

 

 

 

Eri Paiva®
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Maio/2016

 

 

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